VÔLEI DO FUTURO
O Norte de Mato Grosso pode ser considerado a grande sacada do vôlei regional no momento. A região tem se tornado uma mina de ouro com a revelação de talentos no esporte, um verdadeiro celeiro que ganha projeção nacional. Num esporte onde a altura é quase exigência absoluta, o Nortão está na ponta.O Norte de Mato Grosso pode ser considerado a grande sacada do vôlei regional no momento
Uma das revelações é a jovem Ana Tiemi, de 23 anos. Ana começou a jogar aos 9 anos em uma escolinha da cidade de Sorriso, distante 420 km da capital de Mato Grosso. “Ela entrou na escola por causa da irmã dela”, revela a mãe Cleneci Onghero Tajagui. E, quem diria: a irmã que serviu de incentivo escolheu outra profissão e virou enfermeira.
Já Ana não demorou muito para brilhar nas quadras; com 14 anos integrou a seleção brasileira infanto-juvenil. Passou por clubes importantes do Brasil e atualmente veste a camisa do Osasco, equipe paulista. “No começo, quando teve que morar em outro estado, ela chorava muito pela saudade, mas nunca quis desistir”, conta Cleneci, ressaltando a determinação da filha.
Por mais estapafúrdio que pareça, a levantadora de 1,89 de altura chega a ser considerada baixinha perto de outros atletas que também despontam no Nortão do estado. Entre eles está o meia Douglas Bilara, de apenas 14 anos e já com 2,02m de altura.
O garoto (se é que se pode chamar assim com essa altura toda) joga no time mirim de Lucas do Rio Verde, cidade a 360 km de Cuiabá. “Sendo alto é mais fácil jogar”, diz o pequeno grande atleta que já atuou em outro esporte onde o tamanho também é fundamental, o basquete.
E no mercado exportador de talentos mais um jovem do interior do estado deu um grande salto. Seu nome é Bruno Capelari, de apenas 13 anos. Medindo quase 1,90, Bruno é a mais recente investida do Minas Tênis. Com a pouca idade, ele ainda não recebe salário em valores, mas tem todo o estudo custeado pelo clube.
O ponta joga em duas categorias – Pré-mirim e Mirim – e com apenas dois meses na equipe já representou o time em uma competição internacional, na Argentina.
Mas, diferente de Douglas, que nunca se incomodou com altura, Bruno sofreu um pouco para aceitar que era ‘diferente’ dos coleguinhas. “Recebi vários apelidos na escola, era o girava da turma. Achava ruim no começo, mas depois todo mundo cresce e a diferença não vai ser tanta”, afirma.
Durante uma entrevista em novembro de 2010 (quando conversei pela primeira vez com Bruno) ele parecia prever o futuro que teria no esporte. “Vou seguir carreira e tentar clubes grandes, com certeza”. A treinadora Tereza Garcia teve uma importante participação nesse sonho realizado, foi ela quem levou o adolescente para fazer testes no clube mineiro.
Há 10 anos na profissão aqui, Tereza começou a ensinar basquete, mas sem muita perspectiva nessa modalidade no estado partiu para o trabalho de base do voleibol e em Lucas do Rio Verde deu sequência aos treinos em todas as categorias dentro do município.
Atualmente com 400 alunos na escolinha de vôlei, a paranaense que iniciou no esporte como jogadora de basquete da seleção de Ponta Grossa e faz mestrado em voleibol alto nível em Córdoba, na Espanha, trocou definitivamente as cestinhas pela emoção dos cortes e também treina as seleções feminina e masculina da cidade. “A maioria dos atletas que cresceu no voleibol, hoje é universitário e tem uma vida saudável”, explica, reforçando a tese de que o esporte serve de ferramenta na formação do cidadão.
O presidente da Federação Mato-grossense de Vôlei, Nicanor Lopes, ressalta que as seleções estaduais têm sido formadas por atletas de várias regiões, principalmente do Norte do Estado (confirmando o potencial da região), onde a miscigenação tem resultado no surgimento de super jogadores. “O biotipo dos nossos atletas está mudando, as crianças tem uma média de 1,90m, a seleção brasileira é 1,94m, nossa média foi de 1,74 no Infanto feminino”.
E é por isso que a base das seleções conta com jogadores de cidades como Nova Mutum, Sinop, Sorriso, Vera e Lucas do Rio Verde. A média de estatura dos atletas mato-grossenses subiu entre 5 e 6 centímetros nos últimos 5 anos. “Isso é um fator preponderante, interfere muito no vôlei”, conclui Nicanor.