Flamengo e Internacional passam para fase de grupos da Libertadores
Não foi uma atuação brilhante, nem de encher os olhos. Mas o drible de Ronaldinho Gaúcho por entre as pernas de um zagueiro aos 46 minutos do segundo tempo e o segundo gol da vitória por 2 a 0 sobre o Real Potosí levantaram o Engenhão e a torcida do Flamengo festejou a classificação à fase de grupos da Taça Libertadores. Léo Moura marcou o primeiro, na etapa inicial.
O Rubro-Negro avança agora para o Grupo 2 e se junta a Emelec-EQU, Olímpia-PAR e Lanús-ARG. Este último será o adversário da estreia no dia 15 de fevereiro na Argentina.
O primeiro tempo mostrou o Flamengo em cima do adversário o tempo todo, buscando o gol com insistência e desperdiçando muitas chances antes de abrir o marcador, aos 39 minutos, em cabeçada de Leo Moura, após cobrança de falta de Ronaldinho da direita. Antes de entrar a bola desviou nas costas de um zagueiro do time boliviano e enganou o goleiro Lapczyk.
Antes, porém, o Rubro-Negro já havia criado ótimas chances de marcar, praticamente encurralando o adversário, que pouco aparecia no ataque. Aos 10, Deivid, que esteve ameaçado de não jogar por causa de uma ação na Justiça contra o Flamengo, se esticou todo na pequena área, mas não conseguiu alcançar cruzamento de Leo Moura da direita.
O Flamengo continuou insistindo contra o paredão azul boliviano, com boas jogadas pelas pontas e chutes de longa distância. Como o de Renato, aos 31, que passou à esquerda da trave de Lapczyk. Logo depois, Bottinelli apareceu duas vezes: a primeira aos 32, após tabela muito bonita com Renato e chute à direita do goleiro do Potosí. Três minutos depois o meia argentino acertaria a trave esquerda de Lapczyk e se lamentar.
Golaço de R10 sela a classificação e festa rubro-negras
A segunda etapa foi bem diferente. O Flamengo perdeu a força ofensiva, e deu espaços para o Potosí ameaçar o gol defendido por Felipe. Mesmo assim, o time carioca conseguia alguns bons lances isolados, como um chute de longa distância desferido por Renato, aos 18 minutos. A melhor chance para a equipe boliviana surgiu aos 32, quando Jiménez subiu completamente livre na área e cabeceou a bola cruzada da direita por Brittes à esquerda de felipe, que estático só torcendo para ela sair.
Três minutos depois, em outro chute de fora da área, Luiz Antonio ameaçou o gol dos bolivianos. O time rubro-negro errava muitos passes no meio do campo, saídas de bola e ía dando chances ao Potosí avançar. Sorte do Flamengo que o time boliviano não é bom e é violento. Aos 33, Centurion foi expiulso e facilitou a vida rubro-negra. Mesmo assim, o segundo gol só surgiu aos 46, num lindo lance de Ronaldinho, que driblou Jiménez com uma caneta e com calma e categoria colocou a bola no canto esquerdo de Lapczyk.
O Potosí ainda tentou buscar um gol para levar a pdecisão para as penalidades máximas, mas não conseguiu. Festa no engenhão. Agora a torcida do Flamengo pode dizer que seu time está mesmo na Libertadores.
Internacional
Está salvo o semestre do Inter. Em uma partida que teve ares de decisão de campeonato, o Colorado garantiu a classificação com um empate em 2 a 2 contra o Once Caldas, na noite desta quarta-feira, no Estádio Palogrande, em Manizales, na Colômbia.
D’Alessandro, de pênalti, e Tinga marcaram os gols vermelhos. Nuñez e González fizeram os dos colombianos. No jogo de ida, no Beira-Rio, o Inter havia vencido por 1 a 0. Com a classificação, o time gaúcho ganhou o direito de entrar no Grupo 1 da Taça Libertadores, ao lado do Santos, Juan Aurich, do Peru, e The Strongest, da Bolívia.
O técnico Dorival Júnior apostou na experiência de Tinga para a partida. Colocou o volante no time e deixou Dagoberto, que se recuperava de entorse, no banco. Mesmo com dores no joelho, o lateral-direito Nei partiu para o sacrifício.
Conhecida como “holocausto”, a torcida do Once Caldas decepcionou em termos de público. Foram cerca de 20 mil no estádio, com capacidade para 32,5 mil. No entanto, eles se mostraram extremamente barulhentos. Não deixaram de cantar um minuto sequer.Inspirado no segundo tempo em Porto Alegre, no qual o time colombiano conseguiu equilibrar a partida, o técnico Pompilio Páez escalou três zagueiros – Amaya, Acosta e Álvarez.
- Vamos, Once Caldas, vamos outra vez. Que o holocausto veio lhe ver – gritavam os torcedores.
Pênaltis duvidosos
Ligados pelo café colombiano, o Once Caldas partiu pra cima desde o início. Não foi “hospitaleiro”, como a população de Manizales costuma se definir. Para o Inter, aconteceu tudo o que não podia: sofrer gol logo de cara. No primeiro ataque, Nei deslocou Beltran, o sósia colombiano de Fernandão. Pênalti duvidoso. Na cobrança, Nuñez bateu no canto esquerdo. Muriel até voou certo, mas não conseguiu evitar. Irritado, o goleiro deu um soco no chão do gramado.
O Inter acusou o golpe. Instantes depois do primeiro gol, bate e rebate na área colorada, e a bola terminou na trave. A sorte saltava para o lado vermelho. O gol de empate não tardou. Oscar foi derrubado na área, e o árbitro assinalou outra penalidade. O capitão D’Alessandro assumiu a responsabilidade. O interessante é que, no dia anterior, o gringo havia treinado batidas com o pé direito, quem sabe para enganar o goleiro adversário. Deu certo. De canhota, chutou com estilo, enquanto Martínez, com sua camisa “rosa pink”, se lançava no lado inverso.
O Inter ganhou tranquilidade, acalmou o jogo, melhorou o toque de bola. Ampliou o placar com Tinga, sempre decisivo. Na pequena área, concluiu bela jogada tramada por Oscar e D’Alessandro. Pompilio Páez já tinha alterado a equipe, sacando o zagueiro Alvarez para a entrada do atacante Del Valle. Os colombianos passaram a atuar no sistema 4-3-3 clássico, com apenas um volante.
Com dois laterais soltos, o Once Caldas era pura pressão. E a defesa do Inter estava irreconhecível. Aos 24, González passou por Nei, se infiltrou na área e bateu forte, sem chances para Muriel – 2 a 2. Oscar teve a chance clara, límpida, de ampliar, mas desperdiçou. Aos 35, Damião ajeitou de cabeça, e o garoto, de frente para o crime, isolou por cima.
O Once Caldas atacava sempre buscando jogadas em velocidade, com os rápidos Pajoy e Del Valle. Mas arriscava mesmo em chutes de longe, como de González, aos 38. A vantagem ainda era colorada. Com gols fora de casa, podia se dar ao luxo até de perder por um de diferença. Foi assim que o time partiu para o intervalo. A ideia era de valorizar a posse de bola para a etapa final, deixar passar o tempo.
Dorival aumentava o poderio defensivo. O negócio para o Inter eram os contragolpes. Nessa estratégia, quase marcou. Aos 16, D’Ale recebeu na área, se livrou do marcador. Sem força, bateu colocada e viu Martínez fazer a defesa. Reinoso abusou aos 26 minutos. Arriscou uma bicicleta no centro da área. Bem colocado, Muriel defendeu.Na volta do intervalo, o time colombiano teve gol invalidado. Em cobrança da meia-direita, Pajoy soltou a patada, e Muriel deu rebote. O atacante colombiano chutou para as redes, mas já não valia nada. Mas aí veio o cansaço. Sim, a altitude dos quase 2,2 mil metros de Manizales surtiu efeito. D’Ale começou a errar passes, Oscar já não tinha os mesmos piques. Tinga deixava o gramado para a entrada de Elton.
Inter desperdiça
O Inter bem que poderia ter saído com a vitória do estádio. Na verdade, deveria ter vencido, pelas chances criadas. Primeiro, foi Damião. Recebeu cruzamento de Kleber e, com o gol escancarado, desviou para fora. Saiu lamentando muito e, esgotado, foi substituído por Dagoberto.
Foi o próprio Dagoberto quem teve a outra oportunidade. Oscar fez a assistência e, sem marcação, disparou cruzado, para fora. O fim da partida teve ares de pelada. Desorganizado, o Once Caldas se lançou todo ao ataque. Mas também acusou o início de temporada e caiu. Experiente, o Inter dava balão, marcava forte. Tinha cara de Libertadores. Estava classificado, e com méritos.
Globo Esporte